InSAR como método eficaz no monitoramento geotécnico

InSAR

Apesar de ser pouco popular, o InSAR é uma tecnologia muito útil para a geotecnia

Quando falamos de InSAR, muitos geotécnicos ainda desconhecem ou ainda não utilizam esta valiosa ferramenta que pode ser amplamente aplicada à geotecnia. Tal ferramenta de monitoramento é muito eficaz para detectar e monitorar movimentos de longo prazo da superfície terrestre. Além disso, essa técnica é capaz de oferecer um quadro completo das estruturas e complementar as medidas padrão e discretas fornecidas pelos equipamentos geotécnicos tradicionais. No entanto, muitos devem estar se perguntando: o que afinal é InSAR?

InSAR é uma tecnologia que emprega a técnica de interferometria em imagens obtidas por satélites. A sigla é oriunda do termo em inglês interferometria por radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar Interferometry). Logo, o radar de abertura sintética é uma técnica de geração de imagens que se vale do movimento do satélite para, com isso, sintetizar o efeito de uma antena com abertura maior do que a real e obter uma melhor resolução. 

Já a interferometria é a ciência aplicada ao estudo e medição da interferência de ondas. Isso significa que a técnica utiliza o fenômeno de interferência de duas ondas eletromagnéticas para medir distâncias através da diferença de fase dessas ondas. A diferença de fase é devida, na maior parte, à diferença na distância percorrida por cada onda. 

Portanto, as distâncias medidas pelo radar têm sensibilidade da ordem de frações do comprimento de onda utilizado, chegando a ter precisão milimétrica em movimentos na superfície terrestre. Além disso, as diferenças na distância percorrida podem ser invertidas para se obter medidas de elevações ou de deslocamentos. Logo, tais dados podem prover informações precisas e de alto valor agregado destacando potenciais riscos, permitindo uma tomada de decisão adequada. 

Como vantagem do método, tem-se que a metodologia emprega comprimento de onda dentro do espectro de micro ondas, permitindo assim atravessar nuvens e tempestades, funcionando, portanto, independente das condições atmosféricas. Além disso, por empregar diferentes comprimentos de onda, o método permite transpor vegetação e obter informações relativas à umidade do solo em determinadas profundidades. No entanto, para que tal beneficio seja adquirido, é de suma importância que vários comprimentos de onda sejam analisados. A Tabela 1 apresenta de forma ilustrativa a correlação entre o comprimento de ondas no espectro de micro ondas e as aplicações relacionadas.

BandaComprimento de Onda (cm)Frequência (GHz)Algumas aplicações
P100 – 300,3 – 1Arqueologia e corpos subterrâneos
L30 – 151 – 2Superfície do solo – umidade do solo
S15 – 7,52 – 4
C7,5 – 3,84 – 8Vegetação
X3,8 – 2,48 – 12,5Cobertura e falta de cobertura no solo
Ku2,4 – 1,6712,5 – 18Movimentações do solo
K1,67 – 1,1818 – 26,5Medidas de intervalo muito curto
Ka1,18 – 0,7526,5 – 40
Tabela 1 – Exemplos de aplicações de micro ondas no sensoriamento remoto. Fonte: Balamis (2020).

Como exemplo de aplicação de tal metodologia para a determinação de movimentos de massa de longo prazo pode-se citar o site norueguês InSAR Norway que apresenta uma série de dados InSAR ao longo do tempo.


Figura 1 – Dados de Monitoramento por InSAR na Noruega. Fonte: InSAR Norway

Figura 2 – Dados de Monitoramento por InSAR na Noruega. Fonte: InSAR Norway
Banner de geotecnia que direciona o leitor ao site da Saff Engenharia

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